À medida que cada vez mais países por todo o mundo (incluindo Portugal) legalizam o uso medicinal da canábis, a curiosidade pelos poderes desta planta torna-se cada vez maior.
Se antes era um tema controverso, hoje, com o aumento da procura de soluções alternativas para o nosso bem-estar, a canábis é uma das maiores tendências na indústria da beleza e bem-estar.
Até a gigante Coca-Cola já está a estudar a possibilidade de entrar no mercado de bebidas feitas à base de canabidiol, o ingrediente do momento.
Fomos descortinar esta tendência e descobrir mais sobre os seus benefícios.
Mas afinal, o que é o Canabidiol (CBD)?
O canabidiol, também conhecido por CBD, é um dos componentes químicos presentes na planta da canábis.
Ao contrário do THC (tetrahydrocannabinol), outro famoso componente responsável pelos efeitos de alteração do nosso estado, o CBD não provoca efeitos alucinogénios.
É utilizado para fins medicinais, mas também como suplemento natural e como ingrediente em produtos de beleza e alimentícios. Em Portugal, pode ser encontrado em ervanárias e lojas de produtos naturais, sobre a forma de óleo, gotas ou spray.
Quais são os seus benefícios?
Apesar de ainda existirem poucos estudos sobre os benefícios do canabidiol, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório em que revela que o consumo de CBD não apresenta qualquer perigo de dependência nem riscos para a saúde.
Algumas pesquisas já publicadas apontam para os efeitos positivos do canabidiol no tratamento de algumas doenças e sintomas. O alívio de dores é um dos benefícios mais conhecidos deste componente da canábis, já que possui propriedades anti-inflamatórias e pode, por isso, ser um bom aliado para atenuar dores menstruais, musculares e das articulações.
O canabidiol é também utilizado para o alívio de estados de ansiedade e depressão. Estas qualidades devem-se ao facto do canabidiol poder agir sobre um dos recetores de serotonina no cérebro, o neurotransmissor que contribui para o nosso estado de humor, bem-estar e felicidade.
Segundo a Universidade de Harvard, o CBD é também indicado para quem sofre de insónias, já que estudos indicam que o CBD ajuda não só a adormecer, como a continuar a dormir.
A comunidade científica está ainda a investigar como o canabidiol pode ajudar pacientes com doenças neurológicas, como é o caso do Alzheimer, Parkinson e epilepsia, e também para o seu potencial como antibiótico. Os estudos ainda não são conclusivos.
Já na indústria da beleza, o CBD é já incorporado em diversos cosméticos para ajudar a combater a acne.
Canábis, cânhamo e canabidiol: qual a diferença?
É importante conhecer as diferenças entre os diversos produtos derivados da canábis para saber o que está realmente a comprar.
A canábis é uma família de plantas com duas espécies: Cannabis sativa e Cannabis indica. A marijuana, ou “erva” como é muitas vezes apelidada, é uma das plantas presentes em ambas as famílias, enquanto o cânhamo faz apenas parte da estirpe Cannabis sativa.
O CBD é normalmente extraído do cânhamo, já que este contém uma alta concentração de CBD e pouco THC, ao contrário da marijuana, que tem propriedade psicoativas.
Outro erro comum é o de confundir cânhamo com canabidiol. Não são a mesma coisa. Segundo a plataforma The Chillery, que se dedica à informação e comércio de CBD, “existem diversos óleos derivados da canábis disponíveis [no mercado] que podem parecer intermutáveis. O canabidiol é a substância que se crê oferecer benefícios para a saúde, já o óleo de cânhamo, apesar de ser uma superfood, não contêm canabidiol”.
A regulamentação destes suplementos é pouca, por isso o marketing pode induzir em erro. Se está à procura de CBD, leia os rótulos e procure “cannabidiol” na lista de ingredientes. A Universidade de Harvard deixa o conselho: “se decidir experimentar canabidiol, consulte o seu médico, para ter a certeza de que este não afetará outras medicações que esteja a tomar”.
Como utilizar o CBD?
Ana Soares, 34 anos, trabalha em publicidade e foi o stresse no trabalho que a levou a experimentar o óleo de canabidiol.
“Estava a sofrer com muita ansiedade na altura e pensei que, no pior dos casos, teria um efeito psicossomático. Senti que pelo menos estava a ser proativa para me tentar sentir melhor, mesmo que não resultasse. Eu tenho uma mente bastante aberta no que toca a tomar drogas e fiz bastante pesquisa sobre CBD para perceber que não me iria fazer mal se eu experimentasse”.
À Saber Viver, Ana conta que toma CBD diariamente há cerca de um ano e sentiu melhorias no seu estado de ansiedade. “Não fico tão stressada com coisas do dia a dia, como o trabalho por exemplo, e ajuda-me a dormir melhor. No geral ajuda-me a manter a minha ansiedade a um nível controlável”.
Joana Limão, chefe e criadora do site Please Consider, onde promove uma forma de viver mais consciente, utiliza o CBD para o alívio de dores.
“Quem se informa sobre o que consome percebe que há vários princípios ativos e foi aí que comecei a dar atenção ao CBD pelas suas propriedades terapêuticas”. Joana usa o CBD essencialmente para aliviar as dores menstruais e sente que estas foram bastante atenuadas desde que começou a tomar as gotas.
“Eu prefiro tomar em gotas, o óleo puro dissolvido noutro óleo neutro, numa concentração específica. Coloco debaixo da língua, espero 30 segundos e engulo. Depois tenho que beber água ou comer qualquer coisa, porque tem um sabor muito forte”.
A chefe deixa ainda algumas dicas para incorporar o CBD em alguns pratos caseiros. “Para cozinhar com CBD, ele já foi processado, pelo que o melhor é não aquecer e adicionar apenas no final das preparações. Num latte morno, num batido ou como molho de uma salada são três opções viáveis.”
Fontes: benefícios CBD; estudo OMS; estudo Harvard; diferenças entre canábis e canabidiol; artigo Coca-Cola;
Se ficou curiosa acerca dos poderes do canabidiol, fique a saber como pode incorporá-lo na sua rotina de beleza.