Ano novo, vida nova. A passagem de ano marca o início de um novo ciclo e é costume dedicarmos tempo a fazer listas de objetivos. Uns mais exequíveis do que outros, já se sabe.
Mas então, como fazer com que a lista que escrevemos não se fique apenas pelo papel? Como evitar que a meio de janeiro já não nos lembremos das nossas grandes intenções de mudança?
A teoria dá-nos muitas pistas de como melhor formular objetivos, isto é, de como podemos potenciar a sua realização, conseguindo simultaneamente um aumento de bem-estar.
Aqui ficam cinco regras que deverão funcionar como filtros na hora de materializar os nossos desejos. Se, no final de aplicar estas regras, estiver face a objetivos diferentes dos iniciais, não estranhe. É sinal de que este artigo funcionou.
5 perguntas a fazer aos seus objetivos para 2022
1. Quer mesmo ou sente que deve?
Primeira pergunta: é um objetivo seu ou é fruto da pressão social, só porque é suposto, ou porque iria agradar a este ou àquele? Este primeiro filtro pode ser um valente murro no estômago, no sentido em que nos coloca a refletir sobre o lugar da nossa intenção. E essa reflexão não é fácil, e muitas vezes pode ser dolorosa.
Por exemplo: ter uma experiência profissional internacional. É algo que faz sentido para si porque gosta de conhecer novos mundos, é curiosa, faz novos relacionamentos com facilidade, adapta-se facilmente à mudança, o diferente para si é sinónimo de conforto, não precisa de manter contacto presencial regular com família e amigos, ou quer pôr-se à prova ou quer mudar de ares e conhecer pessoas e lugar novos? Se sim, força.
Mas há casos em que as pessoas colocam para si objetivos só porque é suposto, quando o que lhes estava mesmo a apetecer era iniciar uma atividade de voluntariado na sua comunidade local, ou tirar um curso sobre algo que lhes interessa muito, ou outro exemplo qualquer.
Será necessária uma grande dose de autoconhecimento e de autoconsciência para conseguirmos responder com verdade a esta pergunta.
2. O objetivo está alinhado com os seus valores e interesses?
Este segundo filtro é muito parecido com o primeiro. A questão é saber se os objetivos refletem os nossos interesses e valores, se estão alinhados com quem somos, com o nosso Eu autêntico e com o que realmente queremos fazer com as nossas vidas.
Quanto maior a convicção de alinhamento, maior a leveza com que arregaçamos as mangas, maior a capacidade de resiliência no processo e maior a satisfação que retiramos quer da concretização, quer da jornada para lá chegar. Tudo tem um significado, uma razão de ser (um propósito, se quiser), que nos motiva desde dentro e nos impele a iniciar e depois a continuar.
Para refletir…
Se a sua motivação é apenas o dinheiro, o sucesso ou a validação dos outros, então está claramente a procurar a motivação em algo fora de si. Exemplo: quer perder peso porque quer ficar bem nas fotos da praia ou porque quer sentir-se mais ágil, mais saudável e divertir-se com a atividade?
Quanto mais “nossos” forem os porquês, maior a perceção de autonomia na prossecução dos objetivos, maior a motivação e maior a satisfação com o processo e com o resultado!
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3. Aponta uma direção ou é uma fuga?
Às vezes sabemos o que não queremos, mas não sabemos bem o que queremos. E por isso formulamos objetivos de fuga, ou seja, aqueles que são formulados pela negativa no sentido de evitar ou deixar de fazer algo. “Vou deixar de comer fritos e gorduras” é um exemplo clássico. O que acontece? Só pensamos nas porcarias que não podemos comer. E se for antes: “Vou escolher alimentos saudáveis a todas as refeições”? Adivinhem onde vai estar a nossa atenção…
Mas há mais uma razão. Quem desenvolve os seus esforços em direção a alguma coisa reporta níveis de bem-estar superiores. E é fácil perceber porquê. Lembrem-se: como dizia Séneca, “nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”.
4. É difícil q.b. ou é irrealista?
O desempenho está associado a alguma dificuldade nos objetivos. Ou seja, tudo o que é fácil demais não mexe connosco o suficiente para que mobilizemos esforços nesse sentido nem, por outro lado, permite os mesmos níveis de satisfação em caso de sucesso.
No entanto, se o objetivo for percebido como irrealista o mais provável é que baixemos os braços ainda antes de começar. Portanto, o segredo, como em tudo na vida, está no equilíbrio.
O objetivo tem de ser difícil q.b., mas tem de ser possível chegar lá. Difícil, mas possível. Possível, mas desafiador.
5. Como é que vai saber que realizou o seu objetivo?
Este filtro tem a ver com a praticabilidade da implementação. Todos os objetivos têm de ser específicos o suficiente para que não haja dúvidas se e quando os atingiu. E devem também ter algum tipo de quantificação associada e um prazo ou janela temporal para acontecerem.
Novo exemplo: fazer exercício físico. Se começar a usar as escadas em vez do elevador, o seu objetivo foi cumprido? O que é fazer exercício físico? E fazer alongamentos, é exercício físico? E se for apenas em casa, sem ser numa aula formal, também conta?
Se formular: “caminhar duas vezes por semana, durante 30 minutos, durante três meses”, então, neste caso, não haverá dúvidas se ficou aquém, se superou, etc… Conseguirá monitorizar o seu desempenho e motivar-se com as pequenas conquistas.
Principalmente: os objetivos servem para nos dar uma direção, para nos servir. Não é ao contrário.
Termos as nossas metas reforça a nossa perceção de que temos o leme da vida nas nossas mãos e enche-nos de esperança e de otimismo. Serve para sermos mais autênticas e mais felizes. Principalmente para sentirmos que a viagem vale a pena. A chegada será apenas um pormenor.
Feliz 2022!
Sara Midões é formadora, mentora e Positive Psychology Practitioner. Especialista em bem-estar no trabalho e liderança positiva e empática, dedica-se através da Community a ajudar organizações e pessoas a trabalhar e a viver melhor. Siga a Community no Instragram.